Memórias Paroquiais

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Etiqueta: Moura - Santo Amador
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Resposta à Pergunta 4 sobre a Serra - Que rios nascem dentro do seu sítio e algumas propriedades mais notáveis deles; as partes para onde correm e onde fenecem?

Moura - Santo Amador :

Duas ribeyras passão correndo por esta freguezia, huma que se (p. 420) chama Ardilla, que corre do nacente para o poente e outras a que chamão Toutaliga, que corre do sul para o norte. Ardilla fenece em Guadiana e Toutalliga fenece em Ardilla.

Resposta à Pergunta 10 sobre a Serra - A qualidade do seu temperamento?

Moura - Santo Amador :

A qualidade e temperamento desta freguezia he cálido.

Resposta à Pergunta 11 sobre a Serra - Se há nela criação de gado ou de outros animais ou caça?

Moura - Santo Amador :

Há criaçoins de gados, a saber, bois, ovelhas, porcos; a algumas herdades, com montados, que poderão por todos emgordar trezentos porcos. Há coelhos, perdizes, lebres, em terras que bem se devertem os coriozos, com galgos.

Nome ou assinatura do pároco.

Moura - Santo Amador :

o Cura João Carrasco Alverca

Santo Amaro, 1758, Junho, 10
Memória Paroquial da freguesia de Santo Amaro, comarca de Beja
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 3, nº 56, pp. 419 a 422]

 


Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor

 

Por ordem de V. Ex. R. recebeu o cura de Santo Amador termo da villa de
Moura huns interrogatórios, dos quaes remete suas respostas, dentro do tempo que lhe
foi detriminado pella mesma ordem, fazendo somente menção daquelles interrogatórios,
que tem que responder a elles.

 

Respostas são as que se seguem:

 

[1] Fica na província do Alentejo, pertence ao Arcebispado de Évora, comarca
de Beja, termo de Moura e freguezia de Santo Amador.
[3] Tem vinte e dous cazeiros vezinhos, juntos, herdades trinta e huma,
devedidas. As pessoas que se conservão de ordemnario em toda a freguezia, são
duzentas e sincoenta pessoas. He a ditta igreja do Excelentíssimo Reverendíssimo
senhor Arcebispo de Évora e de seus sucessores.
[4] Está situada a igreja, vezinhos, herdades, em montes; e as terras que mais se
cultivão em campina, de barros, de hum monte que está junto à igreja a que chamão os
Bispos. Da parte do poente se descobre para esta mesma parte a villa de Moura que
dista duas légoas; e para a parte do nascente se descobre a freguezia de Santo Aleixo,
que dista duas légoas; e para a parte do sul se descobre parte da freguezia da Coroada e
Monte Alvo que que distão huma légoa e para a parte do norte se descobre a freguezia
da Amareleja e parte da Póvoa, que distão huma legoa. Todas as dittas freguezias são
termo de Moura; e também da parte do norte athe o nacente se descobrem Villa Nova e
suas circumvizinhanças em Castella que distão sinco légoas e asim mais a villa de
Monsarás e suas circumvezinhanças, que dista seis légoas.
[6] A parochia está junta aos vezinhos e no meyo das herdades, que lhe fazem
duas fileiras, huma da parte do sul e outra da parte do norte.
[7] O seu orago he Santo Amador. Tem três altares, hum mayor e dous colatraes,
no mayor da parte do Evangelho está Santo Amador de glória e de fermoza estatura,
motivo porque o não levarão os castelhanos no tempo da guerra, em o meyo está a
Senhora da Assumpsão, de vestidos, bem ornada; e da parte da Epistolla está S. Luís
Bispo de vestidos bem luzido; no colatral da parte do Evangelho está em o meyo a
Senhora das Neves, da qual se intitula o ditto altar, he da glória, com perfeita
encarnação; e da parte do Evangelho do ditto altar está a Senhora do Carmo, de pequena
estatura, he de vestidos está perfeita ademiração (?); e da parte da Epistolla está Santo
André apóstollo, he da glória está munto aseado; e no colatral da parte da epistolla está
em o meyo hum cruxifixo de boa porporção bem feito e damasco encarnado,
comunicando as chagas a S. Francisco, que está da parte do Evangelho, no mesmo altar.
He da glória, figurado com bastante humildade a santidade e da parte da Epistolla está
Santo António, he da glória de rara figura e própria santidade com hum menino Jesus
nos braços. A igreja tem huma só nave, he toda de abóbeda, tem de comprimento vinte e
duas varas e de largo seis; na capella mor tem hum quadro novo, de madeyra todo
oleado (p. 419) com seu fermozo pavilhão no meyo com todas as molduras douradas.
Tem seu cruzeyro de madeira oleada, molduras douradas com dous confissionários a
face ao altar da porta principal que outra não tem. Está à parte esquerda a pia baptismal,
com suas grades de madeyra oleada feitas com (...) arte e com suas molduras douradas.
(...) que fazendo-se o quadro do altar mor e desmanchando-se o antigo, junto no remate
do altar em a parede se acharão princípios de humas letras e rompendo-se parte do altar
se descubrirão todas e dezião esta capella se fes na era de mil e duzentos, digo e
quinhentos e sasenta e dous e todas da letra redonda e bem feita; e dous meyos corpos,
hum de home da parte da Epistolla e outro de molher da parte do Evangelho e também
hum quadro de Santo Amador, já em partes desfeito entre dezerto e paizes (?) e tudo
pintado na parede e mostra-se por algumas experiências (...) do quadro como na obra da
alvenaria na reforma das paredes que se fizerão na ditta igreja ser antiguamente ermida
e depois fazer-se o corpo da igreja e o quadro, que se desmanchou. Também à porta da
igreja da parte de fora está huma pedra quadrada que mostra ser princípio de colunna,
que dizem viera de um sítio que se acha dentro desta freguezia, a que chamão o Villar
da Poupanna, junto a Val de Paraízo, donde se têm descuberto alguns edifícios, que
parece ter sido convento. Dista o ditto sítio, chamado Villar da Poupanna desta igreja
meya légoa dentro da mesma freguezia e fica da igreja para a parte do poente. Tem a
ditta pedra que bem si contacem, sinco letras grandes, que dizem o seguinte: LULUS.
8 O párocho he cura, que aprezenta o Excelentíssimo Reverendíssimo senhor
Arcebispo de Évora e seus sucessores. Tem de renda sinco moyos, impostos nas
herdades e hum alqueire de trigo mais a hum dos cazeyros.
15 Dos fructos que recolhem os moradores em mayor abundância são trigos, que
também colhem sevada, senteyo e bastante tremês.
16 Está sugeita ao governo da justiça de Moura de que he termo.
17 Toda esta freguezia he de particulares.
18 Na pia desta igreja se baptizou o Doutor Manoel Coelho Vivião, vigário da
vara da vila de Moura e confessor das freyras do Castello da ditta villa, vizitador
ordemnario e comissário do Santo Ofício.
20 Sirve-se do correyo da qual, digo, digo de Moura de que dista duas légoas.
21 Dista da cidade capital do Arcebispado doze légoas e de Lisboa capital do
reyno vinte e seis légoas.
26 No terremoto de mil settesentos sincoenta e sinco cahio o tecto da abóboda da
igreja sem fazer outro perigo algum e antes de hum anno se reparou com mais aumento.

 

Segunda parte:
1 Chama-se a freguezia da Barrada de Santo Amador, termo de Moura.
2 Tem de cumprido duas légoas e de largo huma légoa. Principia em Val de
Vinagrinho da parte do nacente e acaba na Defeza da parte do poente.
3 Parte do nacente com a freguezia de Safara, do poente com a matris de S. João
Baptista de Moura, do sul com freguezia de Coroada e Monte Alvo, do norte com
freguezia da Amareleja e Póvoa, todas termo de Moura.
4 Duas ribeyras passão correndo por esta freguezia, huma que se (p. 420) chama
Ardilla, que corre do nacente para o poente e outras a que chamão Toutaliga, que corre
do sul para o norte. Ardilla fenece em Guadiana e Toutalliga fenece em Ardilla.
[10] A qualidade e temperamento desta freguezia he cálido.
[11] Há criaçoins de gados, a saber, bois, ovelhas, porcos; a algumas herdades,
com montados, que poderão por todos emgordar trezentos porcos. Há coelhos, perdizes,
lebres, em terras que bem se devertem os coriozos, com galgos.

 

Terceyra parte:
[1] Huma das ribeyras que dice na segunda parte, que se chama Ardila,
nasce em Castella, no sítio a que chamão Medina delas Torres.
[2] Donde nasce, corre todo o anno.
[3] Outra nesta Ardilla, no sítio desta freguezia a que chamão Defeza, outra a
que chamão Toutaliga e perde este nome.
[4] A sobreditta Ardilla de Inverno he navegável em barcos pequenos, que de
Verão pouco corre.
[6] Corre de nascente a poente.
[7] Cria peixes, a saber: bogas, seramugos, bordallos, picoins, barbos que pezão,
como eu ouvi a pessoas dignas, vinte e hum arrattel; que de doze athe vinte há muntos e
muntos mais dos que dice atrás destes. Também se crião nesta ribeyra Ardilla huns
peixes a que chamão herós, de que se faz em notabilíssimas empadas e também se crião
huns animaes a que chamão lontras, que se parecem com gattos, como as herós com
cobras, aquellas cubertas de cabellos, pardas humas, outras pretas que se sustentão com
os bons e milhores barbos que se crião na ribeyra.
[9] No sítio desta freguezia são as pescarias da ditta ribeyra livres e em todo o
anno comuas a todos os que querem pescar.
[10] Poucas das suas margens nesta freguezia se cultivão, porque são fragozas.
Donde nasce conserva o seu nome, que he Ardilla e só o perde em Guadianna, no sítio a
que chamão Entre as Ágoas, que dista desta freguezia para a parte do poente duas légoas
e meya.
[16] Tem no sítio desta freguezia sinco moynhos.
[18] Livremente uzão todos de suas ágoas.

 

Dice.
Que conhecendo a minha incapacidade para o dizer, me sirva de desculpa a
obediência. O Ceo guarde a Excellentíssima pessoa de Vossa Excelência, tão
benemérita de huma dilatada vida, como de huma immortal fama. Santo Amador, 10 de
Junho de 1758.
Súbdito de Vossa Excelência
o Cura João Carrasco Alverca

 

 

Transcrição: Marta Cristina Relvas Janeiro Páscoa

 

in PÁSCOA, Marta Cristina Relvas Janeiro, Memórias Paroquiais da vila de Moura e
seu termo, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2002, pp. 85-88.