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Ouguela, 1758 Memória Paroquial da freguesia de Ouguela, comarca de Elvas [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 26, nº 47, pp. 371 a 374]
/p. 371/ Satisfazendo ao que me detremina o Illustrissimo cabbido por ordem da Secretaria de estado de Sua Magestade que Deos guarde, sobre os interrogatorios a que me mandou responder, dos quais me informei e inteirei com a individuassaô possivel, e achei constarem o seguinte; Do primeiro interrogatorio consta, que fica esta Villa de Ouguella em a Provincia do Alentejo e pertence ao Bispado e Comarca da cidade de Elvas, e o termo, e freguezia da dita Villa. Ao segundo que he senhorio de prezente Sua Magestade que Deus guarde. Ao terceiro que tem esta Villa sincoenta e dois vezinhos, e pessoas do mascollino setenta, e do sexo femenino sessenta e seis. Ao quarto, que esta Villa esta situada em hum oiteiro, da qual se discobre a Villa de Albuquerque do Reyno de Castella que dista duas legoas. Ao quinto que tem esta Villa termo seu de comprimento de legoa e meya, e huá de largura no qual existem doze vezinhos. Ao sexto que esta a Parochia dentro desta dita Villa. Ao septimo que he o seu Orago a Senhora da Grassa, e tem tres altares altar mór, o da Senhora do Rozario, e o da Senhora da Conceiçaô, e tem quatro Irmandades a do Santissimo Sacramento, a da Senhora do Rozario, a das Almas, e a da Mizericordia. Ao outavo, que o Parocho he Prior// /p. 372/ Prior o qual aprezenta Sua Santidade e o Excellentissimo Senhor Bispo alternativamente, e tem de renda huns annos por outros cento e trinta mil reis, e ha na dita Igreja mais hum cura que aprezenta o mesmo Excellentissimo Bispo. Ao decimo e undecimo, naô comprehende nada. Ao duodecimo que esta Villa tem Caza de Mizericordia aqual teve a sua origem por fallecimento de hum testador que lhe deixou humas terras, que rendem hum moyo de trigo todos os annos para a cura dos pobres. Ao decimo terceiro tem esta Villa tres Ermidaz no seu termo as quais pertencem a Parochia da dita Villa, que sam do Senhor Salvador do Mundo, a Senhora da Inxara, e a do Senhor Sam Pedro. Ao decimo quarto, naô comprehende nada. Ao decimo quinto que a maior abundancia de frutos que colhem os moradores desta Villa, saô trigo e vinho. Ao decimo sexto, que tem Juiz Ordinario, e Camara. Ao decimo septimo, decimo outavo, e decimo nono nam comprehende nada. Ao vigecimo naô tem correyo e se serve do da cidade de Elvaz que dista desta Villa quatro legoaz. Ao vigecimo primeiro dista esta Villa a cidade Capital do Bispado quatro legoas e a de Lisboa Capital do Reyno trinta e quatro legoaz. Ao vigecimo segundo que tem pervilegio// /p. 373/ Pervillegio para nesta Villa naô se fazerem soldadoz. Ao vigecimo terceiro que ha proximo desta Villa hua fonte que tem duas singullares propriedades huá que todos os animaes criados em outra agoa que se lhe lancam dentro morrem no lago, e outra que naô coze carne nem legumes como as outras agoas. Ao vigecimo quarto, naô comprehende nada. Ao vigecimo quinto, que esta Villa he prassa de armas e morada os quais muros se achaô muito damnificados e nestes estam sinco torres. Ao vigecimo sexto que os ditos muros padéssesseram [sic] grande ruina no terremoto de mil setecentos e sincoenta e sinco, e principalmente a torre da Igreja que veio a maior parte della abacho e algumas cazas da dita Villa e tudo está ainda por reparar, e athe o vigecim[o] septimo naô ha mais couza alguma digna de memoria. Sobre o que se pergunta a respeito desta Villa se responde e pello que pertence a sua Serra. Ao primeiro, segundo e terceiro interrogatorio que se chama a Serra de Sam Pedro, he esta de muito pequeno comprimento e largura. Ao quarto e quinto naô comprehende nada. Ao sexto ja se respondeo no interrogatorio vinte e tres supra. Ao septimo, outavo e nono naô comprehende nada. Ao decimo que he o clima desta terra no Inverno muito intemperada por cruzados ventos nortes, e no Veraô muito callida por cauza do vento Sul. Ao undecimo que ha no termo desta Villa criaçoens de todo o genero de gados. Ao duo decimo// /p. 374/ Ao duodecimo, e decimo terceiro, nam comprehende nada. O que se pergunta a respeito do Rio que passa proximo a esta Villa se responde. Ao primeiro interrogatorio que se chama o Rio Severa o qual tem o seu nacimento ao pe da Serra de Sam Mamede corre pellas penedias do monte do Sete e passa junto a Igreja de Saô Julliam, e de hú lugar the vinte sinco cazas, a que chamam Severa, de que neste Rio tomou o nome. Ao segundo que nasse logo caudollozo, e corre todo o anno. Ao tresseiro [sic] que entra neste rio junto a esta Villa outro a que chamam Abrillongo, o qual tem o seu nassimento no Reyno de Castella. Ao quarto naô comprehende nada. Ao quinto, que he de curço arebatado em toda a diztancia. Ao sexto que corre do Norte para o Sul. Ao septimo, que se criaô no principio deste Rio muitas trutas por suas agoas serem muito frias e para bacho naô cria senaô pexe ordinario que levam as mais ribeiras do Alentejo pellas terras serem calidas e he o que tras em maior abundancia. Ao oitavo que ha nelle suas pescarias todo o anno. Ao nono que saô suas pescarias livres. Ao decimo, undecimo e duodecimo naô comprehende nada. Ao decimo treceiro se ajunta este rio com o rio Boteva, e ambos entraô em Guadiana avista da Cidade de Badajos. Ao decimo quarto que tem seus asudes. Ao decimo quinto naô comprehende nada. Ao decimo sexto que tem muitos moinhos. Ao decimo septimo, e decimo outavo naô comprehende nada. Ao decimo nono, que tem sete legoas de comprimento este rio, e por onde passa ja se respondeo, e naô incontrei mais couza algua digna de memoria. O Prior Manuel Martinz Lobatto [assinatura autógrafa]
Transcrição: Ofélia Sequeira Nossa Senhora dos Degolados, 1758 Memória Paroquial da freguesia de Nossa Senhora dos Degolados, comarca de Portalegre [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 13, nº 9, pp. 55 a 56]
/p. 55/ A freguezia dos Degollados he filial da Matriz da Villa de Arronches, e está no seu termo distante tres legoas della e sete da cidade de Portalegre, cabeça do mesmo Bispado, e Comarca na Provinçia de Alentejo, distante trinta e tres legoas da Corte de Lisboa. O orago da Igreja he Nossa Senhora da Graça dos Degollados, naõ me consta da Origem deste appelido, como taõ bem da sua fundaçaõ /supponho por se queimarem os archivos da Villa de Arronches, no tempo da guerra da Acclamaçaõ; por ser ali a praça fórte que Castella occupou nesta Provinçia, no tempo que durou aquella Guerra/. A Igreja he bastante grande, a Capella mor hé de abobeda de barrete, obra antigua con seus cordois [sic] no tecto, o telhado do corpo della he de madeira de duas agoas; foi cuberta no anno de 714, porque na guerra ultima da quadruple aliança, foi destruida pelos espanhois, e a freguezia desabitada de moradores, por estar sempre, invadida das entradas; que faziaõ os castelhanos neste Reino. Tem tres altares, o mayor donde está a Imagem de Nossa Senhora e dous coleteraes, hú de Saõ Jozé, e Nossa Senhora do Rozario, e outro do Senhor Jezus, e Almas. Naõ tem Irmandades. O Parocho he Cura adnutum da aprezentaçaõ do Excellentissimo Prelado de Portugal: tem para a sua Congrua, e substentaçaõ tres moyos de trigo, que lhe pagaõ os freguezes, porque naõ recebe nada de dizimos. Hé composta de trinta e duas Erdades, e alguns cazaes, que lhe fazem 42, fógos, e nelles ha duzentas e duas pessoas, de ambos os sexos; a saber: cento, e quarenta, e sette homens; e cincoenta, e outo mulheres. Tem de comprimento quasi duas leguas; porque vem acabar partindo com – o termo de Campo Mayor, que /pertense ao Bispado de Elvas/ em distancia de hum quarto de legoa, tam sómente daquella Villa, e de largura, terá o mesmo; porque parte com a Ribeira a que chamaõ de Ouguella, e referta, ou terras a que chamaõ de duvidas, por serem comuas a Castella, e Portugal, em pastagens, e seáras, pella parte do Nascente, e de Poente com - o Rio Caya, que devide, os dous Bispados de Elvas, e Portalegre, por esta freguezia, e a de Santa Catherina daquelle Bispado: metade desta freguezia, tem matos de azinho, em que se engordaõ muitos porcos, e a outra a metade, he campo descuberto muito forte fertil de trigo, centeyo, e algúa cevada. Está a Igreja cituada, no meyo da freguezia, na ponta dos matos, em lugar quazi plano, e junto della estâ hum val de terra pingue, e abundante de agoas,// /p. 56/ Porque em pouca distancia, tem cinco fontes copiózas, em que nunca se sentio esterilidade, inda quando os Veroens saõ rigorozos. Junto da freguezia se vem vestigios, de tanques, e cânos, que mostraõ a ver ali algú dia fazendas de melhor qualidade, porque hoje senaõ semeaõ, senaõ trigo. Há no meyo da freguezia tres vestigios de minas de ferro, que inde hoje conservaõ o nome de ferrarias, e parece foraõ dos Romanos; porque a pouca distancia dellas, se vem vestigios de huã crusada /a que aqui daõ nome de alicerse/, muito antiga, que pelo meyo das pedras, tem azinheiras, muito velhas, e se deixou ver em partes fóra dos caminhos, que hoje tem, atravessando muitas erdades; porém bem se – mostra, que vaõ dar a huã ponte, que estâ na passagem do Rio Caya, por baixo de Arronches aruinada, a que chamaõ a ponte velha, feita de pedra de rosso, que há por aquelle citio, com boa arquictetura, e lavor; e por estar em outra freguezia, naõ digo nada mais della. O Terramoto do anno de 1755 naõ cauzou ruina notavel, mais que algumas rachas nas paredes da Igreja, e telhados, que tudo estâ repairado. Esta hé amformaçaõ que posso dar da minha freguesia respondendo aos quesitos [sic] do papel que me foi mandado de Vossa Excelencia Reverendissima. De Vossa Excelencia Reverendissima Subdito muito Reverente O Cura o Padre Luiz Barboza Cordeyro [assinatura autógrafa]
Trancrição: Ofélia Sequeira Nossa Senhora do Rosário, 1758, Março, 30 Memória Paroquial da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, comarca de Portalegre [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 32, nº 161, pp. 975 a 978]
/p. 975/ Senhor Observando inviolavelmente o preceito de descrever a situação da freguezia da Senhora do Rozario, expondo as mais circundancias, de que se compoem a sua circunferencia, e seu ambito conforme os interrogatorios do papel, que o Excelentissimo e Ilustrissimo P. Bispo Nosso Prellado me fes remetter por ordem de Vossa Magestade Fidelissima. Digo que a insinuada Igreja, e Freguezia de Nossa Senhora do Rozario fica na Provincia do Alentejo, e que pertence ao Bispado, a Comarca de Portalegre e ao termo da Villa de Arronches, e que he filial da Matriz da dita Villa, tem vinte e quatro herdades que com os seus caceiros [sic] formão trinta fogos, e comprehendem os seus habitantes o numero de duzentas e trinta pessoas; está situada dentro da herdade chamada o Rozario sobre hum pequeno outeiro meya legoa distante da dita Villa de Arronches, de cujo sitio senão avista povoação alguma, por estar cercada de mattos de bollota, e alguns cabeços de terra, que toda, a de que se compoem o seu destricto, que comprehende a distancia de pouco mais de legoa ao seu cumprimento, e meya de lárgura, he fertil na producção de trigo, santeyo, e alguma sevada, fica inclinada algum tanto ao lado esquerdo do Occidente, foi edeficada pellos seus antigos moradores á instancia dos Prellados para mais facilmente cumprirem com os preceitos da Santa Madre Igreja, cujo orago he Nossa Senhora do Rozario, tem so huma nave cuberta de madeira, e telha// /p. 976/ A capella mor he de abobeda, tem seu rotabollo, douradas collunas, e seus payneis de pintura ja antiga, forma nos lados dois altares, e fora da capella mor, no do lado direito tem colocado o Anjo São Miguel pello que se chama das Almas, e do esquerdo hum cruçifiço da Imagem de Christo de bastante grandeza, razão, porque demarca o altar do Senhor Jesus, não tem Irmandades actualmente só se ornão com a[s] esmollas dos fieis, e a Igreja a fabricão os seus moradores porposionavelmente [sic], segundo a qualidade, e grandeza das herdades, em que habitão: o Parocho he aprezentado, e com effeito provido com Provizão annual pelo Excelentissimo e Reverendissimo Senhor Bispo de Portalegre: tem de congrua certa todos os annos tres moyos de trigo, que lhe pagão os seus moradores por destribuição, que elles tem ja feito convencional entre si, attendendo á possibilidade de cada huma das herdades segundo a sua grandeza, e producção de fructos. Tem dentro do seu destricto esta Freguezia para a parte do Sul huma Ermida com a vocação de Nossa Senhora do Carmo, cuja Imagem he perfeitissima tanto na maravilhoza dilicadeza de arte, com que foi fabricada, como na grandeza da sua estatura, que a reprezenta magnificamente soberana, he vestida// /p. 977/ De graça com roupas, que a escultara lhe soube cortar tão primorozamente, que pode fazer inveja ás mais delicadas e preciozas galles de materia a mais finissima, reluzindo, sobre aquelles o bem ideado, e primorozo estofo de juro, que a fas resplandecer no mesmo accidente, qusanna [sic]; Está esta Senhora collocada na sua Tribuna sobre hum sificiente trono, he a sua Igreja de materia de pedra, e cal, que forma hum Templozinho de abobeda muy formozo com dois altares collateraes, e tem seu pulpito, e hum coreto, foi eregida pello zello do Eremitão chamado Manoel de São Christovão ajudado das esmollas dos fieis de Deos sobre hum monte de terra arenoza parecendo misterio edeficarse neste monte em correspondencia do soberano titulo do Monte do Carmo, que por essencia tem esta Senhora que por milagroza concorrem muytos romeiros a vizitala em varios dias do anno, e especialmente quando se lhe fas a sua festa em hum dos Domingos de Setembro; a aria, em que foi edeficada esta Ermida pertencia á herdade chamada a dos Duques, os que por permição do seu mayor senhorio João Andre de Britto, e Mello da cidade de Elvas, e com algum auxilio seu ali se fabricou e a requirimento, e despeza sua a fes benzer, sendo certo que ja ali havia huma Ermidinha antiga com a vocação de São Dominguinhos, que se destruio, e lhe fes perder o nome esta de Nossa Senhora do Carmo, que de novo se edificou. Dista esta /p. 978/ Esta freguezia quatro legoas da cidade de Portalegre capital deste Bispado, e trinta com as tres de mar de Aldeya Galega a Lisboa Corte, e Capital do Reyno. Naô padeceo a Igreja desta freguezia, nem a da Senhora do Carmo, nem ainda os montes, e a[s] cazas de seu destricto ruina alguma no terremotto de mil sette centos, e sincoenta, e sinco, nem ha mais couza alguma neste destricto, de que deva fazer rellação que se incluisse, ou não comprehendesse nos interrogatorios do referido papel, que os mostrava. Freguezia de Nossa Senhora do Rozario aos 30 de Março de 1758. O Parocho da freguezia de Nossa Senhora do Rozario do termo da Villa de Arronches Padre Joseph Girardo Aranha
Transcrição: Ofélia Sequeira Nossa Senhora da Caridade, 1758, Maio, 28 Memória Paroquial da freguesia de Nossa Senhora da Caridade, comarca de Elvas [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 10, nº 296, pp. 2039 a 2046]
/p. 2039/ Informação desta freguesia de Nossa Senhora da Charidade termo da Vila de Monsaras Capitulo primeiro 1º - Esta freguezia está em a Provincia do Alentejo em o Arcebispado de Evora e fica em a Comarca de Elvas e termo da Vila Monsaras. 2º - Pergunta o segundo artigo, se he del Rey ou Donatario? Ao que respondo, que he del Rey, mas consta esta freguezia de herdades cada hua de diversas pessoas em que tem dominio. 3º - Pergunta o 3º interrogatorio, quantos vizinhos tem esta freguesia e o numero de pessoas? Tem esta freguesia noventa athe hum cento de vizinhos, isto he moradores dispersos por toda ella, e terá athe quinhentas pessoas mayores. 4º - Pergunta o quarto artigo se está situada em campina, valle ou monte; e que povoações se dizcobrem della? Ao que respondo que esta Igreja está sitaída em hum bayxo; por cuja cauza não se dizcobrem della povoações alguas: mas della dista o lugar do Reguengo e o lugar da Aldeya de Matto huma legoa para o Nascente. 5º - Pergunta este 5º artigo se tem termo seo, que lugares comprehende, como se chamão e que vizinhos tem res// /p. 2040/ Pondo que não tem termo seo, antes he termo da Villa de Monseras. 6º - Pergunta este artigo 6º se a Parochia está fora do lugar, ou dentro e quantos lugares tem a freguesia? Respondo, que a Parochia está dentro do lugar, que tem o nome de Charidade: o qual terá sincoenta vizinhos inclusos ja no numero dos vizinhos desta freguesia no artigo 3º, e não tem mais aldeyas desta freguezia. 7º - Pergunta este artigo qual seja o orago desta freguesia, quantos altares altares tem, e de que Sanctos; quantas naves tem; quantas Irmandades tem, e de que Sanctos? Respondo que o Orago desta freguesia he de Nossa Senhora da Charidade. Ha tradição, que antigamente se chamava Nossa Senhora da Claridade; porque vindo El Rey Dom Afonso secodindo os Mouros destas terras, e acabando-se lhe a lúz do dia neste lugar, aquel lhe hera ainda percizão para acabar huma batalha que aqui lhes deo, levantou então o espirito ao céo, e invocou o patrocinio de Nossa Senhora da Claridade, o que o Senhor foy servido ouvir, proque então lhe sobreveyo hûa grande luz, com aqual ajudado alcancou avictoria, que pertendia. Tem esta Igreja seis altares: hum de São Miguel, outro de Santo Antonio, outro de Nossa Senhora do Rozario, e outro de São Sebastião, outro do Senhor Jesus, e o mayor que he de Nossa Senhora da Charidade. Tem huma so nave. Tem duas Irmandades, que são de Santo Antonio e de Nossa Senhora do Rozario// /p. 2041/ 8º - Pergunta este 8º artigo se o Paroco desta freguesia he cura, vigário ou Reytor ou Prior ou Abbade; e de que aprezentação hé e que renda tem? Respondo, que o Paroco desta freguesia he cura, e da aprezentação do Excelentissimo Ordinario e tem quatro moyos de pam, os quaes pagam os parochiannos desta Igreja. 9º - 10º - 11º - 12º - Nestes quatro artigos não ha que dizer. 13º - Pergunta este artigo, se tem esta freguezia algûas Ermidas, e de que Santos, e se estão fora do lugar, e aquem pertencem? Respondo que dentro dos limites desta freguesia se acha huma Ermida, cujo orago de he Sam Romão, distante desta Igreja, de quem he filial, meya legoa para e parte do Sul, dentro da herdade chamada a Crugeyra; e he esta Ermida pertencente á jurisdição do Excelentissimo Ordinario. 14º - Pergunta este artigo, se acode a esta Ermida algûas romagens, sempre ou em alguns dias do anno, e quaes são estes? Respondo que algûas romagens acodem á ditta Ermida de São Romão, mas não com frequencia: excepto no dia do Santo, que he a nove de Agosto porque nesse dia// /p. 2042/ Acoda muyta gente das suas circumvizinhanças, e se fax na mesma Ermida festa ao Santo. 15º - Pergunta este artigo, quaes são os frutos desta terra que os moradores recolhem em mayor abundancia? Respondo, que o fruto que aqui se colhe com mais abundancia, he trigo, e nisto he ponto sem questão; que cateris paribus, excedem as terras desta freguezia ás do mais termo de Monseras, por serem as milhores do seo termo tambem recolhem em abundancia sevada, e senteyo. 16º - 17º - 18º - 19º - Nestes quatro artigos não ha que responder, se não que esta freguezia está sugeyta ao governo da justiça de Monseras, de quem he termo. 20º - Pergunta este artigo, se tem esta freguesia correyo? Respondo que não tem, mas servesse do mesmo de que Monserás, de quem dista duas legoas. 21º - Pergunta este artigo, quanto dista esta freguesia da Capital do Arcebispado, e quanto de Lisboa Capital do Reyno? Respondo, que dista de Evora, de quem he Arcebispado, seis legoas e de Lisboa Capital do Reyno vinte, e seis. 22º - 23º - 24º - 25º - Nestes artigos não ha que responder. 26º - Pergunta este artigo, se padeceo esta freguesia algûa ruina no terremoto de 1755, hem que está, e se está ja reparada? Respondo que as Igrejas desta freguesia, asim a Capital, como a de São Romão, algûa ruina padecerão; a ruina desta Igreja, não passou de hûas pequenas raxas, as quais se não tem ainda remediado por se julgar não ser de necessidade urgente: a ruina da Ermida de São Romão foy mayor, por serem as paredes menos fortes, mas não cahio parede alguâ da Ermida ainda que ficarão todas abaladas. As cazas desta Aldeya, e os montes desta freguesia apenas se poderão numerar poucos, que não padecessem mays ou menos ruina, sendo cérto, que a alguns cahirão pedacos de paredes, e tilhados mas tudo está remediado segundo as possibilidades de seos donos. Ao segundo capitulo, que trata da Serra desta freguesia não ha que responder, porque a não ha nesta freguesia. Capitulo 3º O que se pergunta saber do Rio desta freguesia he o seguinte: 1º - Pergunta este artigo, como se chama asim o rio, como o sitio adonde nasce? Respondo, que pelas terras desta freguesia passão tres rios e como me não he possivel acommodar a informação delles juntos// /p. 2043/ Aos interrogatorios deste capitulo, responderey, narrando de cada hum por sy, o que souber. Ha nesta freguesia tres rios. Hum tem o seo nascimento nas terras desta freguesia, e os dous não. Os que não tem o seo nascimento nesta freguesia são a ribeyra de do Alimo, e o Degébe. O Degebe tem o seo principio no termo de Evora/de lá vira clará noticia do seo nascimento/, e continuando para bayxo, passa pelas estremas desta freguesia dividindo a da freguesia de São Juliam de Monte de Trigo e da freguesia da Amieyra ambas termos de Portel. Dentro desta freguesia tem tres moinhos de farinha. He de curso arebatado, porque pela mayor para dentro desta freguesia caminha por entre roxedos. He a abundante esta ribeyra de peyxes. Os mais que cria são bogas, bardallos, e peyxes, a que chamamos machos [?]. Tem tambem muito barbo, que cria, e recebe de Guadianna em quem desagua: e muytos mais tivera, se se impedissem as pescarias de rédes nos tempos das, creações. A rybeira do Alimo que he a segunda rybeira desta freguesia tem o seo principio, no Baldio, a que chamamos das Caldeyras, em a freguesia de São Pedro do Corval deste termo /de lá héra mais clara noticia do seo nascimento/ e entrando nesta freguesia para parte do Norte a vay dividindo da freguesia do Corval, athe entrar nas terras da freguesia de Santo Antonio dos Reguengos e continuando para bayxo, vay dezeguar em o rio de Guadianna. Esta// /p. 2044/ Ribeyra não conserva aguas correntes todo o anno, mas so nos mezes das chuvas, e he ribeira que ordinariamente levarão as suas correntes hum e ferido de agûa. Nesta freguesia cria alguns peyxes, mas miudos, os mais que aqui tem são pardelhas, e bordallos. As pescarias nelle /como nos demais rios destas partes/ são livres, excepto nos mezes das criaçôes. A terceyra, e ultima Rjbeira desta freguesia, e a que nasce nos seos limites, he a Rjbeira, a que chamamos da Charidade. Nasce esta Rjbeira na herdade do Mouro desta freguesia da parte do Norte, e continuaando para bayxo passa pelas hortas desta Aldeya, pela Ermida de São Romão, athe hir desaguar na Rybeira do Degebe dentro do Baldio de São Romão. [Tendo desta freguesia e que por isso conservou sempre o nome da Charidade] Tambem esta Rybeyra não conserva aguas correntes todo o anno, porque as que tem são das chuvas, tãobem as duas correntes parão, e alguns annos poucos pegos lhe ficão. Tem poucos peyxes, os mais que tem são pardelhas, que todos os annos recebe do Degebe, e alguns bordalos. Terá esta rybeyra ao mais de distancia duas legoas. Esta he a noticia que posso dar desta terra, e destes rios. Se en assistisse ha mais tempos nestas terras do que tres annos unicos, que aqui tenho assistido, talvêz milhor noticia dera, do que aprezente, mas como me// /p. 2045/ Foy percizo dizer, disse o que possivel me foy, Charidade hoje 28 de Mayo de 1758. O Cura Joze Bernardo Gravã[o] [assinatura autógrafa]
Transcrição: Ofélia Sequeira Lameira, 1758, Abril, 8 Memória Paroquial da freguesia de Lameira, comarca de Portalegre [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 19, nº 44, pp. 373 a 374]
/p. 373/ Senhor Satisfazendo e observando como leis inviolaveis aos interrogatorios que me foram dados pello Excellentissimo e Reverendissimo Bispo de Portalegre meu Prellado ordenandome responda a elles como he mandado e respondendo tam somente pello que, pertence ao que delles se inclue no districto desta freguezia de Nossa Senhora dos Remedios de Lameyra termo da Villa de Arronches em que sou Parrocho aprezentado pello mesmo Excellentissimo Bispo por este ser Senhor della. Digo que esta freguezia está situada no termo da Villa de Arronches Provincia do Alentejo e do dito Bisppado de Portalegre e he sufraganca á Matriz collegiada da mesma Villa por ser sua filial tendo esta dentro do seu destricto treze Herdades, e dois moinhos que fazem o numero de quinze fogos, e cento e doze pessoas de hum e outro sexo. He esta Parrochia pequenna tem tres altares; o mayor e does collateraes no altar mayor está collocada a Imagem de Nosa Senhora dos Remedios da Lameyra como orago de Caza estando tambem collocada no mesmo altar a Imagem de Nossa Senhora do Rozario: no altar collateral da parte direyta esta collocada a Imagem de Nossa Senhora dos Remedioz de vulto mais pequeno: no collateral da parte esquerda está collocado hum crucifixo o vulto nam munto pequeno e da parte direyta e esquerda estaô por pintura as almaz e Sam Miguel: He o altar mayor de aboboda, a Igreja de huma só nave cuberta de madeyra e telha tendo a porta para o Occidente, a qual cobre hum álpendre composto, e formado em sinco arcos, estando esta situada em hum valle bastante humedo e fora da Parrochia está hum necimento de bastante agoa, que naô seca ainda nos annos mais esteriles e dizem nasce da Parrochia e mostra ser verdade, porque tambem o he quando se abrem algumas sepulturas se emchem logo de agoa, e dizem ser esta a rezam, porque se chama de Lameyra, havendo tambem no destricto desta outo, ou nove postos, a que chamam fontez// /p. 374/ Dos quaes naô ha memoria se tenhara [sic] secádo ainda nos annos da mayor esterilidade: Nam tem esta Parrochia Irmandade, nem della se descobre povoaçam alguma e tem de renda o Parrocho tres moyos de trigo, que lhe pagam os lavradores e mais moradores della por este lhe hir dizer missa todos os Domingos e dias Sanctos do anno, e administrarlhes os Sacramentos distando esta freguezia da Villa de Arronches duas legoas e da cidade de Portalegre Capital do Bisppado seis e da Corte e cidade de Lisboa Capital do Reyno trinta e duaz; e sendo a maiz pequenna freguezia do termo, he a mais abundante de trigo, senteyo e sevada, e ha dentro do destricto della bastante arvoredo de azinho que da bolota com que se emgordaô bastantes porcos havendo tambem dentro do mesmo destricto bastantes ovelhas, cobras e gado vacum. Nam padeceo esta Parrochia no Terremoto de mil setecentos, e sincoenta e sinco ruina alguma, nem armas, habitaçoens do seu destricto; e pellos confins da mesma pella parte do Sul passa a Ribeyra de Caya que divide o termo de Arronches e de Elvaz, e se vai meter em Guadiana entre Elvaz cidade deste Reyno, e Badajos cidade do Reyno de Castella. E nada mais do que se inclue nos interrogatorios se pode dizer, que pertença ao destricto desta freguezia, de que para constar me asignei Lameyra 8 de Abril de 1758. O Parrocho Francisco Xavier Borrinho [assinatura autógrafa]
Transcrição: Ofélia Sequeira |
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