Memórias Paroquiais

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1758 Junho 4 - S. Marcos da Abóbada
Memória Paroquial de S. Marcos da Abóbada, Évora (Freguesia suprimida, foi anexada à freguesia de N.ª S.ª do Rosário de Torre de Coelheiros)
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 1, nº 11, pp. 111 a 114]

Abobeda, termo Évora
Rellação desta Freguezia de Sam
Marcos da Abobeda(1) termo da
cidade de Évora sobre os
interrogatórios incluzos
na ordem que dimanou de
Sua Excellencia Reverendissima
para responder aos mesmos dentro
do tempo perfixo, ao que satisfaço


1. Esta freguezia de Sam Marcos da Abobeda hé da província de Alemtejo, do
Arcebispado, Comarca, e termo de Évora.


2. E hé de El-Rey Nosso Senhor que Deos guarde.


3. Tem dispersos em montes trinta e tres vizinhos, pessoas duzentas e oitenta [?].

4. Está situada em campina, e desta se descobre Évora, que dista tres legoas.

5. Náo tem termo por ser freguezia do campo do mesmo termo de Évora.

6. Esta parochia está no meio da freguezia.

7. O orago hé Sam Marcos e a igreja tem três altares, o altar-mór Sam Marcos e os dous
collateraes a saber o direito Nossa Senhora do Rozário, sinistro Nossa Senhora das Neves,
tem somente huma irmandade e se chama a do Rozário.

8. O parocho da mesma freguezia, hé cura e da apprezentação do Excellentissimo e
Reverendissimo Arcebispo de Évora; tem de renda duzentos e seis alqueires de trigo e
sincoenta e hum alqueires e meio de sevada.

9. Não tem beneficiados.

10. Não tem conventos.//

11. Não tem hospital.

12. Não tem caza de Mizericórdia.

13. Não tem ermida alguma.

14. Nada(2)

15. Os frutos da ditta freguesia, principais, são, trigo, sevada, senteio, abundantes melloaes.

16. Não tem juiz ordinário, mas sim de vintena que hé sogeito ao governo da cidade de
Évora.

17. Nada.


18. Tem havido na ditta freguesia três doutores em theologia, que florecerão, e ainda
florecem, em virtude.

19. Nada.

20. Não tem correyo, e se serve do correio de Évora, da onde dista três legoas.

21. Dista da cidade capital do Arcebispado tres legoas e da capital de Lisboa vinte legoas.

22. Nada.

23. Nada.

24. Nada.

25. Nada.

26. Nam padeceo ruina no terremoto de 1755.

27. Nada.

E ao seguinte, que tracta da serra não há que responder, nem tambem ao que trata do rio.//

E o que deposto, e escrito está hé a verdade. Em fé de que fis passar a prezente que
assignei.
Sam Marcos da Abobeda 4 de Junho de 1758
De Vossa Excelencia Reverendissima
Reverente Subdito
Sebastiam Roiz de Tobal.

(1) Extinta sede de freguesia rural do concelho de Évora. Nos anos de 1911 a 1930 tinha anexa a freguesia de
Torre de Coelheiros, a qual foi desanexada pelo DL nº. 27 424, de 31 de Dezembro de 1936, passando a
constituir freguesias autónomas. Através do DL nº. 35 927, de 1 de Novembro de 1946 a freguesia de Torre
de Coelheiros passou a incluir as freguesias de S. Marcos da Abóbeda, assim como a de S. Jordão e a de
S.Bento de Pomares. Situa-se a 16 Km a sul de Évora, e o seu acesso faz-se pela EN 254 (Évora-Aguiar).

(2) Segundo o Padre Francisco da Fonseca, na sua obra Évora Gloriosa (p.223), no início do século XVIII
realizavam-se as festas em honra de S.Marcos, nas quais "... todos os anos no dia do Santo, o touro mais
bravo deyxada a ferocidade natural, assiste na Igreja, como hum cordeyrinho aos Officios Divinos."


Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado
GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758 (I
Parte). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 1ª Serie, nº 71 (1988), p. 187-212.
4

1758 Abril 5 - S. Manços
Memória Paroquial de S. Manços, Évora
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 22 nº 45, pp. 285 a 288]

Respostas aos interrogatórios que contem o papel, que o Exm°. e Rmo. Senhor
Arcebispo me mandou dar sobre esta Aldea, e freguezia de S. Manços termo da cidade
de Évora neste anno de 1758.

Sobre a Aldea e freguezia
1ª. Esta Aldea de S. Manços e sua freguezia(1) está na Província do alem-Tejo, hé do
termo, arcebispado e comarca da cidade de Evora.


2ª. Hé esta Aldea e freguezia de El-Rey Nosso Senhor.

3ª. Tem a Aldea noventa e três vizinhos, o campo noventa e nove; pessoas da Aldea
trezentas e dezasette e do campo seis centas e quatorze.

4ª. Esta Aldea está situada em valle e delle se não descobre povoação alguma.
5ª . Não tem termo algum, porque ella o hé da cidade de Évora; nem outros lugares há,
nem aldeas, que pertenção a esta freguezia.

6ª. Esta Parochia está chegada à Aldea, e não tem mais lugares ou aldeas nesta
freguezia.


7ª. O gloriozo S. Manços mártir e primeiro Bispo de Évora(2) he Orago desta Igreja(3); tem
sinco altares, o primeiro o altar mor que he do dito gloriozo S. Manços, dous colateraes
da parte do Evangelho da Senhora da Ajuda e da parte da Epistola ho da Senhora do
Rozário e dous no corpo da Igreja da parte do Evangelho ho das Almas do Purgatório e
da parte da Epístola ho de Santo António. Não tem nave alguma, tem huma só
Irmandade, que he a de Nossa Senhora do Rozario.

8ª. Parocho desta freguezia he cura posto pelo Excelentissimo e Reverendissimo Senhor
Arcebispo // (Arcebispo de Évora), tem seis moyos de trigo e três de cevada, pagos
pelos freguezes.

9ª. Não tem Beneficiados.

10ª. Não tem conventos.

11ª. Não tem hospital.

12ª. Não tem caza de Mizericórdia.

13ª. Contem esta freguezia duas ermidas fora da aldea: huma de S. Bento Abbade, sita
na herdade chamada - Mesquita e a outra do Mártir S. Sebastião, sita na herdade da
Correa.

14ª. Em dia da festa de S. Sebastião accóde à sua ermida alguma gente.

15ª. Os frutos que os moradores desta freguezia colhem em mayor abundancia são trigo,
senteyo e cevada.

16ª. Não tem juiz ordinário, só tem juiz de vintena posto pelo Sennado da Câmara da
cidade de Évora.

17ª. Não he couto, nem cabeça de concelho.

18ª. Não consta que florecessem nesta freguezia homens alguns insignes em letras,
virtudes, ou armas.

19ª. Não tem feira.

20ª. Não tem correyo, serve-se do correyo da cidade de Evora, cujo termo hé, que dista
della três legoas.

21ª. Dista esta Aldea e freguezia da cidade e capital do Arcebispado, que
he Évora três legoas e de Lisboa capital do Reino vinte.

22ª. Não tem privilegios, nem anteguidades, nem couza alguma digna de memória.

23ª. Não há nesta Aldea e freguezia fonte ou lagoa, de que se possa fazer menção.

24ª. Não he porto de mar.

25ª. Esta aldea não he murada, nem em seu distrito castello ou torre alguma tem.

26ª. Igreja Parochial desta freguezia padeceo no terremoto de 1755 ruma [...] a abóbeda
da sachristia em muitas aberturas, que lhe cauzou, que já estão reparadas. E nas cazas de
huma erdade chamada – Hospital, desta freguezia cahirão de sorte que ficarão
inhabitaveis, que já estão reparadas.

Não ha nesta freguezia serra alguma.

Sobre o Rio:

1ª. Tem um rio que se chama - Azambuja - nasce do sitio de S. Jordão, distante desta
aldea huma legoa.

2ª. Não he caudalozo.

3ª. Não entram nelle rios alguns.

4ª. Não he navegavel.

5ª. He de curso muito quieto.

6ª. Corre do Norte para o Sul.

7ª. Cria peixes, pequenos ordinários.

8ª. Não há nelle pescarias.

9ª. Não há pescaria livre, nem de particular.

10ª. Não tem margem que se cultive.

11ª. Nenhuma virtude particular tem suas agoas.

12ª. Este rio conserva sempre o mesmo nome de - Azambuja.

13ª. Morre este rio em outro chamado - Odejebe no sitio da freguezia de Monte de Trigo
termo da Villa de Portel, distante desta Aldea huma legoa.

14ª. Não tem repreza, nem he navegavel.

15ª. Não ten ponte alguma.

16ª. Tem dous moinhos no distrito desta freguezia(4).

17ª. Não há tradição alguma que se tirásse ouro das suas areas. //

18ª. Não uzão de suas agoas os lavradores para a cultura do campo.

19ª. Tem este rio duas legoas desde seu nascimento athé ao Odejebe, ahonde morre.

O referido he verdadeiro, e o que se podia reponder aos interrogatorios insertoss
no papel, que Vossa Excelencia Reverendissima foi servido mandar-me, que rernetto,
obedecendo nisto, e em tudo o mais, que me ordenar, sempre às determinaçoes de Vossa
Excelencia Reverendissima, que Deus guarde. S. Manços de Abril 5 de 1758. De Vossa
Excelencia Reverendissima subdito inutil
O Paroco António Fernandez [Gaspar]

(1) S. Manços: Freguesia rural do Concelho de Évora. O principal aglomerado populacional e sede da
Freguesia é S. Manços, elevada a Vila pela Lei nº. 1519, de 29/12/1923. Situa-se a cerca de 20km a SE
de Évora co seu acesso faz-se pela EN 18 (Évora-Beja). Área: 10 834 há. População presente: 1 094 hab
(Censos 1991). O culto a S. Mancos deu origem ao nome da freguesia e da vila. A referência mais antiga
ao local de “Somanços” e “S. Manços” data de 1278: é um instrumento tabeliónico que demarca a
estrema do herdamento de Somanços, contestada por João Esteves, cavaleiro, e sua mulher. O
reconhecimento foi feito por Fernão Mendes e João Martins Cotim, de Seda, que meteram os marcos. A
povoação e a igreja foram fundadas no sec. XIV pelo Cabido Eborense. “[…] precisantente um século
após a reconquista do territorio, o nome de S. Manços figura como marco topónimo para designar uma
determinada área nas proximidades de Évora […]. Este e o onomástico dominante, o mais característico e
o mais universal, que não se limita a uma capela ou a uma propriedade, mas compreende uma larga
porção territorial, onde há propriedades, acidentes geográficos, correntes de água que têm os seus
próprios nomes unificados pelo designativo comum de S. Manços […]” – Júlio César Baptista, “S.
Manços (Evolução Biográfica)” in Boletim . A Cidade de Évora, nºs. 63-64. pág. 30.


(2) Sobre o culto de S. Manços veja-se o estudo de Júlio César Baptista “S. Manços (Evolução Biográficas)
in Boletim. A Cidade de Évora, nº. 63-64.


(3) Templo actual, de finais do séc. XVI, início do XVII, foi reconstruído pelo mestre de pedraria eborense
Diogo Martins, no local de outro mais antigo que o Cabido da Sé “fundara” no séc. XV, na sua herdade
de S. Manços. Na década de 60 do século XX sofreu obras de beneficiação interior que a desfiguraram
irreparavelmente sobretudo na nave, perdendo alguns elementos ornamentais sacros de talha, azulejaria e
escultura dos sécs. XVII / XVIII; a fachada principal conserva a silhueta seiscentista.
Recentes escavações e restauro do ábside da igreja matriz puseram a descoberto elementos
arquitectónicos romanos. Aliás, conhecem-se nesta freguesia muitos vestígios romanos, “ […] é um
importante centro de arqueologia romana, o mais denso, sem dúvida, dos arredores da cidade [...] S.
Manços, não era somente uma opulenta “villa” ou granja, na época romana [...] era uma vasta povoação
daquela época, dada a considerável quantidade de sepulturas, a par umas das outras, tanto de inumação,
como de incineração […]” - Mário Sá, - As grandes vias da Lusitânia, Livro XIV. A 30 de Agosto de
1976 foi encontrada na Herdade das Oliveiras e Carvalho uma estátua de bronze que simboliza o “Deus
Apolo”, que se encontra no Museu de Conimbriga a ser alvo de restauro.

(4) Na freguesia de S. Manços existe um grande número de moinhos de água e azenhas, face a situação
privilegiada da região - Rio Degebe e Ribeira da Azambuja. São importantes núcleos patrimoniais que
deverião ser protegidos.




Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(Conclusão). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 2ª Serie, nº 1 (1994-95),
pp. 89- 156.
5

1758 Maio 31 - S. Mamede
Memória Paroquial de S. Mamede, Évora
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 14 nº 111, pp. 840 a 841]

Noticias da Parochial Igreja de S. Mamede de Évora
Não há memoria certa do tempo, nem forma da erecção desta Igreja por ser muito
antiga; o que talvez poderia constar do Archivo do Illustrissimo Cabido e só acho foi
criada com Priorado e dous beneficios simples; esta situada dentro nos muros da cidade
na parte que fica ao Norte ; hé de huma só nave, tem três capellas a maior de S.
Mamede, da parte do Evangelho a de Nossa Senhora da Saude, e da Epistola a de Nossa
Senhora da Encarnação, que tem confraria erecta = Authoritate Ordinaria = com muitas
graças, indulgencias, e previlegios, por união e communicação da Santa e Veneravel
Archiconfraria de Nossa Senhora da Encarnação da Cidade de Roma a qual esta
agregada por Breve do Santo Padre Urbano 8º, no anno de 1638. Ha dentro nesta
Capella outra em que está colocada a milagroza Imagem do Senhor dos Terços, a
primeira que nesta cidade sahio, e sahe todas as semanas no pio, e santo exercicio dos
Terços. No anno de 1567 faleceo nesta freguezia Brites de Valadares ja viuva de
Manoel Affonço Buchão do Serenissimo Senhor Cardial Rey, e no seu testamento
instituio huma capella colativa com obrigação de huma Missa cotidiana, e juntamente
com onus do Capellão rezar no coro, assistir, e ajudar aos officios divinos para cujo
effeito lhe deichou huma herdade, huma morada de cazas, e outros rendimentos, e
ficarão dahi em diante sendo 4 sacerdotes os que assitiào ao serviço da Igreja.
No anno de 1568 sendo Arcebispo desta Metropali o Excelentissimo Senhor D. João de
Mello, e vagando o Priorado da dita Igreja por falecimento do Prior Diogo Tavares,
eregio o Excelentissirno Senhor Arcebispo = Authoritate Ordinario = 2 beneficios
curados de consentimento do Illustrissimo Cabido, fundandose para esta creação em que
o dito Priorado hera da sua aprezentação, e colação, para cujo effeito desmembrou a 3°
parte do rendimento do dito Priorado, ordenando que este se dividisse igualmente entre
os dous beneficiados, e neste estado se concerva de prezente esta Igreja constituida de
seis beneficios para o coro e officios divinos.
Rende o Priorado quinhentos mil reis cada anno, provese por concurso, os beneficios
curados rendem oitenta mil reis cada hum, os simples, com pouco mais ou menos
conforme a abundancia dos frutos; [...] e o Capellão por provizão do Excelentissimo
Senhor Arcebispo : Tem de prezente a dita Igreja pelo Rol dos Confessados 1346
Almas. Esta dentro nos limites desta freguezia o Convento das Religiozas de S.
Monica, que principiou em 1380, pelas duas virtuozas Irmaans Maria Femandes, e
Constança Xiráz, juntas com outras donzelas com o titulo de beatas pobres, em que se
concervarão athe o anno de 1421, em que professarão a Regra de S. Agostinho,
sugeitandose aos // (aos) Prelados da Ordem, em cuja obediencia viverão athe o anno de
1540, em que pasarão para a obediencia dos Excelentissimos Senhores Arcebispos, em
que ainda se concervão; florecendo tanto em virtudes, que no anno de 1527 a Madre
Margarida de Jesus com outras companheiras fundarão o Convento de Santa Cruz em
Vilia Viçosa, e em 1586 as Madres Izabel de Noronha, e Jeronima de Menezes fundarão
o de S. Monica de Lixboa. Ha neste Convento de Evora a milagroza Imagem do Menino
Jezus, que deu para a Igreja sendo Prioressa a Madre Margarida de Souza em 1671.
Não há no destrito desta freguezia mais fundaçoins de que se haja de dar noticia. Evora
31 de Mayo de 1758


O Prior Luis Antonio Fragozo de Barros


Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(Conclusão). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 2ª Serie, nº 1 (1994-95),
pp. 89 - 156.

1758 Maio 13 - São Jordão
Memória Paroquial de São Jordão, Évora (Esta freguesia foi suprimida, sendo anexada à freguesia de N.ª S.ª do Rosário de Torre de Coelheiros)
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. (J) 18, nº 33, pp. 237 a 240]

Excelentissimo e Reverendissimo Senhor


Porque dezeis muito satisfazer aos reverentes preceitos de V. EXª. Reverendissima
juntamente às justissimas determinasoens de Sua Masgestade Fidelissima Nosso
Fidelissimo Monarca, que Deus guarde respondo primeiramente aos interrogatorios que
se me propoem, no que se procura saber desta terra, na forma seguinte:

1. Esta igreja paroquial de S. Jordão e sua freguesia(1) fica na província do Alemtejo;
pertence ao Arcebispado de Évora, a seu termo e comarca.


2. Respondo que esta terra he de El-Rey nosso senhor que Deus guarde.

3. Respondo que esta freguezia de S. Jordão consta de vinte e tres herdades, nas quais
ha outros tantos moradores de casas desse numero de herdades, so sete tem lavradores
assistentes, que as cultivam, nas mais moram pastores, trabalhadores e alguns
singaleiros, que por todos geralmente completam o numero de quarenta e sete vezinhos.
E o numero de pessoas de ambos os sexos, desde o maior athe ao menor, e minimo; que
ao prezente se acham nascidos, e moradores nesta mesma freguezia de S.Jordão, são por
todas duzentas e cincoenta e huma.

4. Respondo que esta igreja paroquial de S. Jordão(2) está situada em huma breve costa
de hum pequeno outeiro entre o Nascente e Sul; dela se descobre o convento dos
religiosos paulistas da Serra se Ossa na distancia de sinco legoas, na mesma distancia,
pouco mais se descobre a villa de Evoramonte, e na mesma distancia pouco menos se
descobre a villa do Redondo.

5. Nada ha que responder.

6. Nada.

7. Respondo = O orago desta igreja he o Senhor São Jordão segundo bispo de Evora(3) e
martir; esta colocada a sua sagrada imagem no altar maior: tem mais dois altares
colateraes, hum do Santissimo Nome de Jesus, e o outro de Nossa Senhora da Luz, são
tres altares, he igreja pequena de humma nave, e tem huma pequena irmandade de
Nossa Senhora do Rozario.

8. Respondo, que o parocho desta igreja de S. Jordão he cura aprezentão o Senhor
Arccebispo de Évora; tem o parocho de renda propria tres moios e quarenta e dois
alqueires; tres partes iguais, duas de trigo, e huma de sevada.//

Aos interrogatorios 9, 10, 11, 12, 13, 14 Nada.

15. Respondo que os frutos da terra desta freguezia de S. Jordão que mais abundam,
sam os pastos e ervas, ou como ca lhe chamam as pastagens em que andam grandes
rebanhos de ovelhas de certos homens de negocio moradores na cidade de Evora, os
quais tem arrendado o maior número das herdades desta freguezia, as quais nam
cultivam, pela conveniencia das ditas pastagens, bem he verdade que se as tais herdades
tivecem cultura (como deviam ter) nisto convem todos que produziriam bastante trigo,
munto senteio e sevada, assim como produzem as outras herdades que sam cultivadas
pelos lavradores que nelas moram.

16. Respondo que esta freguesia esta sugeita no temporal ao juis de fora, câmara e a
todas as mais justiças da cidade de Evora.

17º Nada.

18. Respondo, que supposto nam haver memoria que desta freguesia de São Jordão
sahicem ou florecessem homens insignes por virtudes, letras, ou armas; todavia o
Reverendo Padre Mestre Frei Antonio das Chagas, religioso agostinho descalso, doutor
na Sagrada Teologia formado pela universidade de Evora, conventual no convento de
Nossa Senhor das Merces da mesma cidade, he natural desta mesma freguesia.

19. Nada.

20. Respondo que o correio de que se serve e pode servir esta freguesia he o da cidade
de Evora de duas legoas de distancia.

21. Respondo que esta freguesia de S. Jordão dista duas legoas da cidade de Evora, seo
arcebispado, e vinte e huma legoas da cidade de Lisboa capital do reyno.

22. Nada

23. Nada

24. Nada

25. Nada

26. Respondo que o pequeno destrosso, ou ruina que cauzou o terramoto de 1755 nesta
freguezia de São Jordão esta quase reparada.

27. Não ha mais que responder.//

Ao que se procura saber das serras? Não tenho que responder a nenhum dos 13
interrogatorios porque nenhum deles comprehende couza que pertence a esta freguezia
de São Jordão, por ser quazi toda ela campina de valles e alguns pequenos outeiros; no
maior dos quais outeiros, a que chamam serra da Espinheira esta huma cova(4) aonde
dizem estivera o Santo São Jordão fazendo vida de anacoreta; nam tem igreja, nem
ermida, senão so montes de pedras, telhas, que lhe levam os seos devotos e algumas
cruzes(?), dista da Igreja Parochial hum quarto de legoa. E assim nam ha mais que
responder a nenhum dos 13 interrogatorios referidos.

Ao que se procura saber dos rios? Se ha de adevertir que por esta freguezia de São
Jordão nam passa rio com as circunstancias propostas nos seguintes 20 interrogatorios.
Porem respondo ao primeiro na forma seguinte = Nesta freguezia de S. Jordão, termo da
cidade de Evora nas herdades de Pinheyros e Crilheyra nasce hum pequeno rio, ou para
dizer melhor principia huma pequena ribeyra chamada Zambuja por onde passa, nesta
mesma freguezia.

2. Respondo que a tal ribeyra Zambuja nem nasce caudeloza nem corre todo o anno,
principalmente nesta freguezia de São Jordão, na qual corre só no tempo do Inverno,
quando tem chovido.

3. Respondo que não entram nella outros rios mais do que a ribeyra chamada a Pessena
na freguezia de Monte de Trigo neste mesmo termo de Evora, em distancia de duas
legoas desta freguezia de S. Jordão; tambem nesta freguezia e na de S. Manços proxima
a esta em distancia de huma legoa entram na tal Zambuja algunss pequenos rios de
nenhum nome.

4. Nada.

5. Respondo, que no Inverno quando leva munta agoa he arrebatada no curso, e no mais
tempo nam.

6. Respondo que a dita ribeyra corre do Poente ao Nascente//

7. Respondo que os peixes que a tal ribeyra cria, sam pardelhas, bordallos e outros
peixinhos pequenos e de todos estes em abundancia nos anos de Inverno.

8. Respondo que no Inverno principalmente, e na Primavera se pescam estes peixinhos.

9. Respondo que livremente os pescam.

10. Respondo que as margens desta Zambuja sam terras limpas de arvores e de
silvestres, principalmente nesta freguezia de S. Jordão. São munto espaçozas de culturas
as suas margens, porém muntos se não cultivam pella razam dita no interrogatorio 15
das terras.

11. Nada.

12. Nada.

13. Respondo que esta Zambuja morre no Digebbe, que he rio maior na freguezia de
Monte de Trigo em distancia de duas legoas e meia desta freguezia de São Jordão.

14. Nada.

15. Nada.

16. Respondo que esta tal ribeyra chamada Zambuja tem dois moinhos na freguezia de
S. Manços, proxima a esta freguezia, e na freguezia de monte de Trigo proxima a de
São Manços tem dois pizoens; não tem mais nada do que se procura nestes
interrogatorio.

17. Nada.

18. Nada.

19. Respondo que a tal Zambuja tera quatro legoas de distancia desde o principio athe
ao fim; passa pelas aldeias de S. Manços e Monte de Trigo em pouca distancia.

20. Nada mais tenho que responder, pois nam considero coiza notavel, de que haja de
dar resposta, e me parece tenho satisfeito a todos estes interrogatorios, na forma que me
ordenou Vossa Excelencia Reverendissima. S. Jordão aos 13 de Maio de 1758 annos

O Paroco Joze Roiz Telles

(1) Extinta sede de freguesia rural do concelho de Évora. Através do DL nº. 35 927 de 1 de Novembro de
1946, a freguesia de Torre de Coelheiros passou a incluir as freguesias de S. Marcos da Abóbeda, S.
JORDÃO, e S. Bento de Pomares. Situa-se a cerca de 12 km de Évora.


(2) Edifício de finais do século XVI que sofreu alterações posteriores, composto por um alpendre de 3
arcos de alvenaria e empena destacada e de campanário de frontão com sino de caracteres fundidos. A
cúpula da capela-mor é de telhado de linhas radiais. Túlio Espanca, Op. Cit.,pp. 149-150. Encontra-se
muito arruinada, sobretudo no seu interior, causando mesmo constrangimento. Segundo o Agiólogo
Lusitano foi neste local que S. Jordão foi martirizado cerca do ano de 305.

(3) Sobre este assunto veja-se, entre outras, a obra de Fortunato de Almeida, História da Igreja em
Portugal, 1930, Vol. I, p.65b) "Tradições a que não pode atribuir-se qualquer valor histórico deram como
primeiro apóstolo e bispo de Évora S. Manços, que disseram ser natural de Roma [...]. O mesmo crédito
merece a tradição referente a outros bispos de Évora, nos princípios do século IV."

(4) Na região de Évora conhecem-se várias "covas", nomeadamante na Serra d'Ossa, que serviram de refúgio aos
eremitas.


Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(I Parte). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 1ª Serie, nº 71 (1988), p. 187-
212.

1758 Maio 3 - S. Brás do Regedouro
Memória Paroquial de S. Brás do Regedouro, Évora (Freguesia suprimida, foi anexada à freguesia de Nossa Senhora da Tourega)
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 31, nº 14, pp. 225 a 258]

Como subdito obedecendo ao mando de Vossa Excellência Reverendissima que
responda aos interrogatórios que me foram remetidos fazendo a posivel deligencia
respondo na forma seguinte.


1. Esta freguezia de S. Brás do Regedouro(1) esta na provincia do Alentejo, na comarca
da cidade de Évora e no Arcebispado da mesma cidade, parte da freguezia metade
pouco mais ou menos no termo de Evora e noutra parte no termo das Alcasovas porem a
igreja está no termo de Évora.

2. A parte do termo de Evora he de El Rey meu Senhor; a parte das Alcasovas he de
hum fidalgo por nome Dom Jozé de Castro, como senhor que hé da dita villa.

3. Tem esta freguezia sesenta e outo vizinhos, e pessoas assim maiores como menores
tem trezentas e trinta.

4. Está esta freguezia situada em hum valle, e nenhuma povoaçam se descobre do sitio
adonde esta a igreja.

5. Junto a igreja está huma aldeia limitada que tem dezanove vizinhos.

6. A Parochia está junto da mesma aldeia, e nam tem mais aldeia alguma, se nam vinte e
sinco montes adonde moram varios cazeiros, por cauza dos lavradores que as trazem de
renda, quazi todos, asistirem fora por quanto as trazem de barragana.

7. He da igreja(2) o orago o gloriozo Sam Brás, tem a Igreja três altares, no prinsimpal
está colocada a imagem do Santo orago, e no mesmo altar da parte direita esta a imagem
do Prinsipe dos Apostollos meu Pay Sam Pedro no mesmo altar na parte esquerda está
colocada a imagem do sagrado porcusor Sam Joam Bauptista; na segunda capella
colatral da parte direita esta a Imagem de Jesus Christo Crucificado, e no mesmo altar
estaam asima // as imagens do esclaresido portugues Santo António, de Santo Amaro e
Santa Luzia; e como este altar pertence a devoçam das Santas Almas do Purgatório
junto do mesmo altar esta hum painel com a Imagem do Arcanjello Sam Miguel das
Almas patrono. No terceiro e ultimo altar da parte esquerda esta a Imagem da May de
Deos Maria Santissima, Senhora Nossa com o títullo do Rozário e no mesmo altar esta
outra imagem da mesma Senhora que serve de levar nas porsisois que nos primeiros
domingos de todos os mezes se fazem em obzequio do Rozário da Senhora; no mesmo
altar esta a imagem do invicto e suplicado mártir Sam Sebastiam. A igreja he de huma
nave sé e de abobada, tem só huma Irmandade confirmada que he a do Rozario da
Senhora, e das Almas somente ha huma devoçaom de se pedir as esmollas que os fiéis
querem dar para sufragios das mesmas almas.

8. O Paroco he cura aprezentado pello Excellentissimo e Reverendissimo Senhor
Arcebispo de Évora; tem huma congrua sustentaçaom arbitrada, a qual não tem quantia
serta, por quanto depende de mais ou menos asistencia de freguezes; porem hum anno
por outro rendera cada anno sinco moios e meio de pam a saber hum moio e doze
alqueires de sevada, e o mais de trigo imanente do pé de altar rende quarenta mil reis.

9. Nom tem igreja beneficiados.

10. Naom tem conventos.

11. Nem tem hospital.

12. Nem tambem caza de Mizericórdia.

13. Naom tem mais alguma irmida.

14. A imagem do Senhor Sam Bras orago da freguezia sae muntas e varias vezes vizitta
em romaria pello discursso do anno porquanto he imagem muito milagroza como eu
tenho claramente observado, e o publicam todos os que por sua intersesão tem sido de
Deos remediados en muitas e diverssas necesidades que tem padecido nesta mizeravel
vida.

15. Os fruttos que nesta freguezía se recolhem com mais abundancia he senteio, ainda
que tambem se recolha trigo e sevada, mas en muito menos quanttdade.

16. Tem esta freguezia sinco herdades das que tem no termo da Villa das Alcasovas, as
quais juntas com mais outro que estão na freguezia matris da mesma villa a que
chamam as Herdades do Reguengo nellas se nomeiam todos os annos dous lavradores
para juizes os quais governam no sítio [das mesmas] treze herdades com juizes
ordinários, tendo o mesmo poder para mandar sitar, pinhorar e sentenciar, sem que para
este efeito seja parsizo ao juiz e ouvidor da villa, e tudo por antigo pervilegio concedido
ao Senhor da mesma villa das Alcasovas, o qual cobra das dittas treze herdades os
quintos de todos os frutos de [paom] que se recolhe nas mesmas herdades, sendo que as
ditas herdades tem direitos senhorios, a quem os lavradores pagam as rendas das
mesmas herdades.

17. Naom he couto.

18. Naom consta ter florecido pesoa nesta freguezia digna de memória en vitudes,
letras, ou armas.

19. Naom tem feira.

20. Não tem correio ainda que por este sitio passa para // (para) a Villa da Vianna que
ha distancia duas legoas.

21. Desta freguezia à capital cidade do Arcebispado fazem três legoas e meia e a Lisboa
capital do Reyno fazem dezanove legoas.

22. Não consta de mais previlégios, senão en três herdades que nesta freguezia no termo
de Evora tem o Excellentissimo Senhor Marques de Valenssa não se poder fazer
soldados sugeitos às pessoas que nellas moram.

23. Junto à aldeia a igreja esta huma fontte de abundante agua, pois nestes annos en que
muitas fontes se secaram, senão conheceo falta alguma que cauzace admiracaom, mas
nam consta tenha qualidade espicial.

24. Não tem porto de mar.

25. Nãom tem muro nem castello algum.

26. No terremoto de mil e sette sentos e sincoenta e sinco nam padeceo destruição
alguma, asim nam ouve que reparar.

27. Nam consta haja couza mais alguma digna de memoria para o que fiz deligencia;
nem tenho que responder aos segundos e terceiros interogatórios pois esta freguezia
nam he serra nem tem porto de mar só tem duas ribeiras limitadas en huma esta hu
ponte de pedra e hum moinho de moer paom. He o que discobrir pude fazendo exacta
deligencia que por ser verdade o paso por certidão e me asinno. S. Brás do Regedouro 3
de Mayo de 1758

O Pároco Antonio da Souza

(1) S. Brás do Regedouro: Extinta freguesia rural do Concelho de Évora, e em 1936 (DL nº. 27 424) passou
a integrar a freguesia de Nossa Senhora da Tourega.

(2) A Igreja de S. Brás do Regedouro remonta ao sec. XVI. Era um antigo curado rural. É uma construção
pitoresca, de contrafortes, decorada na testeira da capela-mor por canipanário com sineta e pináculos
piramidais de alvenaria, tem planta rectangular composta de alpendre de três arcos. A sua nave está
revestida por interessantes azulejos barrocos monocromáticos, e o presbitério é coberto por azulejaria
policromada de inícios do séc. XVII.



Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(Conclusão). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 2ª Serie, nº 1 (1994-95),
pp. 89- 156.


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